Estudo Bíblico

A parábola das dez virgens (explicação)

A parábola das dez virgens
Cena das 10 virgens da parábola

Ao pensar em alguns aspectos da Bíblia, notamos entre outras coisas a intensa defesa que os pentecostais fazem a respeito de duas doutrinas. Uma delas é a doutrina do Espírito Santo, onde insistem em dizer, mesmo com provas bíblicas, que o Batismo com o Espírito Santo é falar em línguas. Línguas é um dom e segundo o prestigiado apóstolo Paulo, o menor dom.

O próprio Paulo, ensina em 1 Coríntios que nem todos tem o dom de línguas, mas que todos estão batizados num único batismo, que é ser Igreja a partir de Pentecostes.

A outra doutrina defendida com unhas e dentes é a respeito da Volta de Jesus. Estou acostumado a conversar sobre os mais variados assuntos bíblicos.

Noto que ao expor a alguns irmãos, que não acredito que a volta de Jesus será do jeito que os pentecostais dizem, isso gera nervosismo dos meus interlocutores.

Acredito que o nervosismo é a respeito de colocar uma doutrina, para eles firmada e sacramentada, em cheque. Imagine você pregar a vida inteira, ensinando muitas igrejas. Depois de muitos anos vem alguém e prova que seu conceito e entendimento está errado.

A parábola das dez virgens (Mt 25.1-13)

Jesus estava assentado no Monte das Oliveiras, quando respondeu aos seus discípulos sobre os últimos acontecimentos próximos ao fim do mundo e a sua segunda vinda. Jesus passa a ensinar sobre a parábola das dez virgens.

Jesus ensina que o Reino dos Céus será semelhante a dez virgens, que pegaram suas candeias – uma peça de iluminação, abastecida com óleo e provida de uma mecha, que em geral usa-se pendurada num lugar alto, presa a um prego na parede, ou no teto, para iluminar todo o ambiente – e saíram para encontrar-se com o noivo. O noivo é o próprio Jesus.

Cinco eram insensatas e cinco prudentes. Vê que havia uma diferenciação entre as virgens. As insensatas não tinham óleo em suas vasilhas. As prudentes tinham.

O noivo demorou a chegar – claramente Jesus está falando a respeito da sua segunda vinda – e todas ficaram com sono e dormiram.

À meia-noite o noivo voltou. Isso significando no ensino escatológico a hora pior da Tribulação. Então todas as noivas acordaram, mas as insensatas não tinham óleo em suas vasilhas.

O óleo ainda tem aqui o sentido de ser o enchimento do Espírito Santo. Saíram as insensatas então, na última hora para comprar óleo, mas ao voltar a porta estava fechada. Ai elas gritaram: Senhor, abra a porta para nós. Mas o noivo não abriu a porta.

Interpretação dos pentecostais

A parábola das dez virgens é ensinada pelos pentecostais para justificar a volta de Jesus, em definitivo. Mas os próprios não observam que eles ensinam que a Igreja será arrebatada de forma invisível do mundo.

Esta sustentação não confere de forma alguma com a Bíblia, que diz que a volta de Jesus será na ultima trombeta, após a apostasia, com a manifestação do anticristo e que segundo Apocalipse 1.7, todo olho o verá e os que não forem salvos se lamentarão profundamente.

Um evento visto por todo o mundo, ao sonido de uma trombeta, não a primeira, mas a ultima. O que quer dizer que vindo as trombetas eles saberão diferenciar, como poderá ser algo invisível, em secreto, só para a Igreja?

Outro fato que não bate é dizer que será a segunda vinda, pois se Jesus voltar em secreto para a Igreja e depois voltar para o mundo, então ele terá vindo três vezes e não duas como a Bíblia afirma que esperamos a sua segunda vinda (Hb 9.28).

A doutrina pentecostal ensina que os que ficarem ainda poderão serem salvos. Isso não bate de forma alguma com a parábola das dez virgens, que diz que depois que o noivo fechar a porta acabou para os que estiverem de fora.

A conclusão então é uma só: A Igreja passará pela Tribulação e em algum momento, ao soar da ultima trombeta será chamada a estar com o noivo.

O arrebatamento da Igreja será o momento da história em que os céus se abrirão, quase no fim da Tribulação, Cristo voltará para derrotar Satanás, diferenciar quem está com Cristo ou não e arrebatar a Igreja. E todos os viventes à época verão isso e saberão exatamente o que estará acontecendo.

A doutrina de John Nelson Darby

Se Cristo voltar de forma pré-tribulacional, ou seja, antes da Tribulação, segundo a doutrina unica de John Nelson Darby (1800-1882), que foi o líder do movimento Irmãos e “pai do Dispensacionalismo moderno”, não haverá chance alguma de salvação para quem ficar. As virgens insensatas não poderão serem salvas.

Quando a porta se fechar, que entendemos ser o momento do arrebatamento, o destino de todos já estará selado. A única conclusão possível é que as virgens prudentes estarão na terra até o momento final, crucial, da volta do noivo. E isso fere a doutrina do Darby, de frente, pois a destrói, sem o menor esforço.

Mas de onde surgiu essa doutrina que é hoje abraçada por milhões de pessoas? Posso afirmar que essas pessoas não leem suas Bíblias, pois se o fizessem com cuidado, com sinceridade e na direção do Espírito Santo, notariam claramente que a volta de Jesus pré-tribulacional não é viável.

A doutrina do arrebatamento secreto

Uma doutrina levantada por uma única pessoa, em dezoito séculos de Igreja, revelada a apenas uma pessoa, deveria no mínimo levantar enormes suspeitas. Essa doutrina de um arrebatamento secreto pré-tribulacional, nunca existiu antes de 1830.

A primeira pessoa a ensinar essa doutrina foi uma profetiza chamada Margaret Macdonald. Margaret não era teóloga nem expositora bíblica, mas uma profetiza da seita Irvingita (a Igreja Católica Apostólica).

O jornalista cristão Dave MacPherson escreveu um livro sobre o assunto da origem do arrebatamento secreto. Ele escreve: “Temos visto que uma jovem escocesa chamada Margaret Macdonald teve uma revelação particular em Port Glasgow, Escócia, no começo de 1830, de que um grupo seleto de cristãos seria capturado para encontrar Cristo nos ares, antes dos dias do Anticristo.

Uma testemunha ocular, Robert Norton M.D., preservou o relato escrito a mão por ela da sua revelação de um arrebatamento pré-tribulacional em dois de seus livros, e disse que foi a primeira vez que alguém dividiu a segunda vinda em duas partes ou estágios distintos.

Seus escritos, juntamente com muitas outras literaturas da Igreja Católica Apostólica, ficaram escondidos por muitas décadas do pensamento evangélico dominante, e apenas recentemente reapareceram.

As visões de Margaret Macdonald

As visões de Margaret eram bem conhecidas por aqueles que visitavam sua casa, entre eles John Darby. Dentro de poucos meses sua concepção profética distintiva foi refletida na edição de setembro de 1830 do The Morning Watch3 e na primeira assembléia dos Irmãos em Plymouth, Inglaterra.

Os primeiros discipulos a chamavam de uma nova doutrina. Isso é muito perigoso, pois o canôn biblico já está acabado desde o primeiro século e não pode haver nenhuma nova doutrina na Igreja.

Enfim, Darby ouviu a revelação da visão da Margareth e repassou à sua Igreja, onde um jovem advogado se converteu e escreveu apontamentos numa Bíblia de Estudo.

O maior responsável pela ampla aceitação do pré-tribulacionismo e dispensacionalismo entre os evangélicos foi Cyrus Ingerson Scofield (1843- 1921). C. I. Scofield publicou sua Bíblia de Referência Scofield em 1909.

A nossa regra de fé é a Bíblia

Essa Bíblia, que expunha as doutrinas de Darby em suas notas, se tornou muito popular em círculos fundamentalistas. Na mente de muitos – professores da Bíblia, pastores fundamentalistas e multidões de cristãos professos – as notas de Scofield eram praticamente igualadas à própria palavra de Deus.

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Se uma pessoa não aderia ao esquema dispensacionalista e pré-tribulacional, ele ou ela seria quase que automaticamente rotulado de modernista.

Uma doutrina não pode ser firmada em uma visão do século dezenove. As pessoas que defendem essa doutrina pré-tribulacional, para defende-la precisam negar a Bíblia para assim o fazer.

Bibliografia
A Origem do Ensino de um Arrebatamento Pré-Tribulacional – Brian Schwertley

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